3# BRASIL 16.4.14

     3#1 O OBJETIVO  O CAIXA DOIS
     3#2 CHANTAGENS E MENTIRAS
     3#3 A TRAGDIA DO EX-REI DA SOJA
     3#4 MANUAL DA GUERRILHA DIGITAL

3#1 O OBJETIVO  O CAIXA DOIS
Os documentos apreendidos pela Polcia Federal revelam que Paulo Roberto Costa fez fortuna na Petrobras vendendo facilidades, intermediando interesses de empreiteiras e distribuindo propina a polticos.
RODRIGO RANGEL E HUGO MARQUES

     O macaco corte-fogo laranja com o nome impresso sobre o bolso, o logo com o nome da Petrobras em verde sobre fundo branco, o olhar confiante e o gesto firme apontando com preciso o objetivo. Tudo na foto ao lado transmite a ideia de um lder da empresa que orgulha os brasileiros, provavelmente um diretor tcnico de alto calibre, um PhD em mineralogia ou um engenheiro premiado por inovaes tecnolgicas originais que ajudaram o petrleo a brotar mais facilmente das profundezas, contribuindo, assim, para aumentar dramaticamente o valor da companhia. As aparncias enganam. A imagem ao lado j foi anexada ao melanclico histrico de corrupo no mundo oficial do Brasil. Ela viaja o mundo pelas agncias noticiosas com o homem identificado na legenda como Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras preso pela Polcia Federal, personagem central do escndalo de pagamento de propinas a polticos. 
     Na semana passada, vazaram as primeiras informaes obtidas pelos policiais no exame ainda superficial da agenda, algumas planilhas e outros documentos apreendidos com Paulo Roberto Costa. O contedo  explosivo. Mas os investigadores que cuidam do caso dizem que se trata apenas de um pequeno trecho do propinoduto que o preso operava na Petrobras, tendo de um lado corruptores, do outro, corruptos e ele no meio fazendo a integrao entre as duas partes do empreendimento criminoso. 
     De 2003 a 2012, o engenheiro Paulo Roberto Costa dirigiu a rea de Abastecimento da Petrobras, que comanda um oramento bilionrio e lida com as maiores empresas do Brasil e do mundo. Pelo volume de dinheiro movimentado e os mltiplos interesses envolvidos,  o lugar perfeito para aninhar uma quadrilha de corruptos. A Polcia Federal descobriu que Paulo Roberto, um doleiro, polticos e prestadores de servios esto interligados em um consrcio criminoso montado para fraudar contratos na Petrobras, enriquecer seus membros e financiar polticos e partidos. 
     Paulo Roberto Costa  o que em Braslia se chama de "indicado poltico".  assim que ele aparece na ata de uma reunio com seus advogados pouco depois de sair da Petrobras. Est l, em um dos recortes estampados na pgina 70  escrito a mo por quem secretariou a reunio , a preocupao extra dos causdicos com o fato de o doutor Roberto ter ocupado cargo de "indicao poltica" na Petrobras. Por essa razo seria muito arriscado ir adiante com o plano de abrir uma "offshore" eufemismo para empresa-fantasma em algum paraso fiscal. Em outro trecho, registra-se a recomendao de que, ele abrindo uma empresa, a "holding" deveria ser colocada em nome da mulher e das filhas. So tpicos cuidados de quem est se metendo em um negcio obscuro, com finalidade no muito clara e, definitivamente, com o objetivo de ser mantido longe dos olhos das autoridades. Enfim, uma atividade tpica de algum que chegou a uma estatal ou rgo pblico no pela competncia tcnica, mas por "indicao poltica". 
     Foi o Partido Progressista, o PP, uma das agremiaes que apoiam o governo, que instalou Paulo Roberto Costa na estratgica diretoria da Petrobras. No que  um dos grandes contos de fadas do Brasil oficial, o papel do indicado poltico  explicado pela necessidade de os polticos terem quem resolva problemas paroquiais deles e dos eleitores. No caso do indicado poltico do PP na Petrobras, a explicao era que ele poderia eventualmente facilitar a outorga de uma autorizao de funcionamento para um posto de gasolina. S isso? No mundo da fantasia, sim. No universo da mentira tacitamente aceita como parte do jogo poltico, sim. Mas o homem do macaco laranja, do olhar confiante e gesto firme talvez nunca tenha sabido o que  preciso para abrir um posto de gasolina. Os documentos que a Polcia Federal encontrou em seu escritrio comeam a revelar as verdadeiras atividades de um sujeito que desembarca em uma estatal ou ministrio como "indicao poltica". Paulo Roberto Costa foi colocado na Petrobras para intermediar negcios entre empreiteiras e outras empresas com a estatal brasileira de petrleo e, assim, abastecer o propinoduto ligando corruptores a corruptos. 
     VEJA teve acesso ao material apreendido pela Polcia Federal. Ele revela os verdadeiros motivos por trs da disputa acirrada dos partidos para indicar um afilhado, um amigo ou um correligionrio para um cargo pblico. As anotaes na agenda do engenheiro apontam uma contabilidade financeira envolvendo polticos. Numa delas, Paulo Roberto registra o repasse, em 2010, de 28,5 milhes de reais ao PP, o partido responsvel por sua indicao ao cargo. Ele relaciona como se deu a partilha desse valor. A maior parte, 7,5 milhes,  atribuda ao "PNac", que os investigadores suspeitam tratar-se do diretrio nacional do partido. O segundo maior destinatrio  "Piz", entendido como uma abreviao do nome do deputado Joo Pizzolatti, do PP de Santa Catarina, um dos lderes do partido no Congresso e com quem Paulo Roberto sempre teve proximidade. Um certo "Nel" tambm aparece com seu quinho logo  frente de seu nome. Tudo indica que Nel seja o deputado Nelson Meurer. Fora da conta do PP, ele anota outros 0,3 (seriam 300.000 reais) para TVian e 1,0 (1 milho) para PB. Esses cdigos ainda no foram decifrados. 
     Em outra anotao na caderneta, debaixo da sigla QG  como ele costuma se referir  construtora Queiroz Galvo, uma das prestadoras de servios para a Petrobras , Paulo Roberto anotou o nmero 2,5 e emendou: "Hoje falta 1,2". Na sequncia, aparece a indicao de que uma parte do valor seguiria para polticos. Uma tabela recolhida pelos policiais na casa de Paulo Roberto mostra a importncia do diretor no trabalho de arrecadao de dinheiro. Ao lado dos nomes das maiores empreiteiras do pas, no por coincidncia tambm fornecedoras diretas ou indiretas da Petrobras, aparecem os dos executivos e, em seguida, o termo "soluo"  em que  detalhada a contribuio de cada uma. No caso da empreiteira Mendes Jnior, por exemplo, h a seguinte observao logo em frente ao nome do presidente da companhia: "Est disposto a colaborar". Relacionada  UTC, empresa que nos ltimos anos se transformou em uma das maiores fornecedoras da Petrobras, aparece a anotao: "J est colaborando, mas vai intensificar + para campanha a pedido PR". PR  como vrios dos envolvidos na investigao se referem a Paulo Roberto Costa. Outro gigante da lista  a Engevix. "J teve conversa com candidato. Vai colaborar a pedido PR". Ao nome do estaleiro Iesa, que tem contratos milionrios com a Petrobras, segue-se a observao: "Empresa passando por processo de venda, mas vai colaborar a partir de junho". O volume do dano ao patrimnio pblico fica evidente quando se sabe que no apenas os PRs chegam  Petrobras por indicao poltica, mas as prprias empresas obtm seus contratos na estatal por critrios que passam longe dos interesses da Petrobras e seus acionistas  o governo brasileiro e milhares de investidores minoritrios. 
     O que se viu acima era apenas a fase de captao que cabia a Paulo Roberto Costa. A segunda parte da operao era igualmente vital  embora mais complexa e arriscada. Aqui entra em cena o doleiro amigo e scio do deputado petista Andr Vargas (veja a reportagem na pg. 72). Paulo Roberto virou alvo da polcia por causa das relaes estreitas que mantinha com o doleiro Alberto Youssef, a pea do esquema encarregada de fazer o dinheiro captado na primeira fase chegar s mos dos senhores polticos. 
     Depois de deixar a Petrobras, h dois anos, Paulo Roberto abriu uma empresa de consultoria. Seus clientes eram companhias e prestadores de servios com contratos na Petrobras. Os negcios com o doleiro continuaram a todo o vapor. As empresas de Youssef recebiam os valores por supostos "servios" prestados aos fornecedores da estatal  uma maneira de justificar contabilmente os repasses. O dinheiro transitava pelo esquema de Youssef e depois era sacado em espcie ou remetido para contas em parasos fiscais, inclusive para o prprio Paulo Roberto. O engenheiro guardava 1,2 milho de reais em casa e mantinha contas no exterior com saldo superior a 5 milhes de reais. O esquema do doleiro contava com um eficiente servio de entrega de dinheiro em domiclio. A PF interceptou uma mensagem do ex-deputado Pedro Corra, do PP, condenado  cadeia no processo do mensalo, indicando contas dele, da mulher e de mais duas pessoas para receber 100.000 reais. Tambm h registro de pagamento a outro mensaleiro condenado, Pedro Henry (PP-MT). Assessores de deputados, como o baiano Luiz Argolo (ex-PP, hoje no Solidariedade) e Simo Sessim (PP-RJ), aparecem na lista do doleiro. Entre os destinatrios esto ainda funcionrios e ex-funcionrios de polticos do PT e do PMDB. 
     Um comprovante de depsito em especial intriga os investigadores. Ele foi apreendido na contabilidade do doleiro em So Paulo. O valor  muito baixo:  8.000 reais. Mas a identidade e o pronturio do beneficiado levam a polcia a acreditar que o caso precisa ser aprofundado: o senador Fernando Collor, do PTB de Alagoas, decano da turma que confunde o pblico e o privado sempre em benefcio do segundo. Interessa  polcia saber a ligao entre o depsito e Pedro Paulo Leoni Ramos, amigo do ex-presidente e envolvido at o pescoo com o golpe milionrio que o doleiro preso e o deputado petista Andr Vargas tentaram aplicar contra o Ministrio da Sade. Leoni hoje administra uma holding com interesses comerciais na Petrobras, em que Collor, inexplicavelmente, detm o controle de diretorias na BR Distribuidora. Presentinhos que ganhou do ex-presidente Lula, outro mestre das "indicaes polticas".  

A RELAO DOS COLABORADORES
MENDES JNIOR - A anotao diz que o dono da empreiteira est disposto a colaborar". Procurada, a empresa informa que mantm contrato de prestao de servios de engenharia com a Petrobras, mas desconhece a colaborao.
UTC/CONSTRAN - A anotao informa que a empreiteira "j est colaborando". A UTC afirma que desconhece a colaborao e que no comenta anotaes de terceiros.
ENGEVIX - A anotao diz que a empresa "j teve conversa com candidato". A empreiteira assegura que desconhece tal lista e que suas doaes eleitorais seguem a legislao.
IESA - A anotao informa que a empresa "vai colaborar a partir de junho". A companhia afirma que seu presidente da rea de leo e gs conhece Paulo Roberto Costa, mas no fez doaes eleitorais.
HOPE RH - A anotao diz que a empresa "j vem ajudando e vai ajudar mais a pedido do PR". A prestadora de servios na rea de recursos humanos no respondeu aos questionamentos.
TOYO-SETAL - A anotao diz que a empresa comea a ajudar "a partir de maro". A firma de engenharia naval tambm no respondeu.

MILLR - Justificando cinicamente sua chegada ao poder, Paulo Roberto Costa reproduziu na caderneta uma frase de Millr Fernandes sobre a corrupo. A anotao foi replicada pelos policiais nas pginas do inqurito: um retrato do caso sob investigao. 
Acabar com a corrupo  o objetivo supremo de quem ainda no chegou ao poder  Millor Fernandez.

ESCONDENDO OS LUCROS...
Paulo Roberto Costa encomendou a abertura de empresas em parasos fiscais que, de acordo com a investigao, receberiam dinheiro obtido nas negociatas na Petrobras. Nesta anotao, um auxiliar observa que o fato de Costa ter ocupado cargo de indicao poltica poderia atrapalhar os planos

...E ADMINISTRANDO A FORTUNA
O ex-diretor da Petrobras planejou criar uma holding sob a qual seriam alceadas, alm da empresa de consultoria que ele abriu no Rio, uma firma exclusiva para administrar os imveis da famlia e outra para gerenciar as contas no exterior. A ideia era registrar tudo em nome da mulher e das filha.


3#2 CHANTAGENS E MENTIRAS
Flagrado em dilogos comprometedores com um doleiro, o deputado Andr Vargas ameaa envolver no escndalo um ex-ministro, um ministro do governo e uma senadora.
DANIEL PEREIRA E ROBSON BONIN

     Foi demais at para os padres ticos de um partido cuja antiga cpula cumpre pena na penitenciria da Papuda, em Braslia. Depois de VEJA revelar que o deputado Andr Vargas se associara ao doleiro Alberto Youssef para enriquecer  custa de contratos fraudulentos com o governo, o PT deu um ultimato ao parlamentar: ou ele renunciava ao mandato ou seria expulso da legenda. A ideia de puni-lo visava a conter a sangria poltica, prejudicial s candidaturas  reeleio da presidente Dilma Rousseff e de petistas grados a governos estaduais. Dizendo-se "acabado", "abandonado" e "machucado", Vargas pensou em sair de cena. Em conversa com colegas de bancada, chorou muito e disse que renunciaria. Mas, em vez disso, deu incio a um processo de resistncia. Na segunda-feira, Vargas anunciou o pedido de licena, por sessenta dias, do cargo de deputado; na quarta-feira, abdicou da vice-presidncia da Cmara. Mas j no dia seguinte avisou aos amigos que encurtar a licena e retomar o mandato parlamentar no prximo dia 21. Vargas fechou a semana certo de que no ser cassado. Essa mudana de atitude tem um nome: chantagem. 
     Vargas, como gosta de repetir,  "um homem muito influente no partido". Conhece como poucos as entranhas do PT e do governo. Especialista em tticas de guerrilha contra adversrios, passou a usar essas armas contra figuras do primeiro escalo da Repblica. A petistas, afirmou que, se no receber solidariedade, abrir a caixa de ferramentas. Os primeiros alvos seriam o ministro Paulo Bernardo (Comunicaes), a senadora Gleisi Hoffmann, ex-chefe da Casa Civil e candidata do PT ao governo do Paran, e o ex-ministro da Sade Alexandre Padilha, concorrente petista ao governo de So Paulo. Vargas insinuou que Bernardo  beneficirio do propinoduto que opera na Petrobras. O ministro, segundo o deputado, seria o intermedirio de contratos entre o grupo Schahin, recorrente em escndalos petistas, e a petroleira. Bernardo teria recebido uma corretagem por isso, recolhida e repassada pelo "Beto".  assim, com intimidade de scio e amigo, que Vargas trata o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polcia Federal sob a acusao de chefiar um esquema de lavagem de dinheiro que teria chegado a 10 bilhes de reais. Parte desse valor, como se revelou nas ltimas semanas, so as propinas de negociatas na Petrobras. 
     Em depoimento ao Ministrio Pblico, Marcos Valrio, operador do mensalo preso desde novembro, disse que a construtora Schahin simulou uma prestao de servios para a Petrobras. A empresa pagou por esse servio de fantasia a pedido do governo Lula, que teria usado o dinheiro desembolsado para comprar o silncio de um empresrio que ameaava envolver o ex-presidente e outros petistas estrelados no misterioso assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo Andr. Nas conversas com deputados, Vargas tambm citou como algo que o PT no gostaria de ver revelado o caso da agncia Heads Propaganda, do Paran. "A Heads  esquema deles", declarou Vargas a colegas de partido. "Eles" seriam a senadora Gleisi Hoffmann e o ministro das Comunicaes. Na gesto Dilma, a agncia tornou-se lder em verbas recebidas do governo. A escalada meterica est sob investigao do Tribunal de Contas da Unio (TCU). Procurados, Bernardo e Gleisi negaram participao no processo de contratao das empresas citadas pelo deputado. J o grupo Schahin disse que seus executivos participaram apena  de encontros sociais com o ministro das Comunicaes. 
     Amigos de Vargas retransmitiram as ameaas ao articulador poltico do governo, o ministro Ricardo Berzoini, e a Rui Falco, presidente do PT. Acuado, o PT desistiu de abrir processo de expulso, pelo menos at ouvir as explicaes do deputado, que j responde a um processo no Conselho de tica da Cmara. Para aumentar seu cacife junto aos companheiros, Vargas trabalha freneticamente na coleta e na organizao de informaes sobre o Ministrio da Sade. Como VEJA revelou na semana passada, Vargas e Youssef planejavam a "independncia financeira" de ambos por meio de contratos firmados com a pasta. Os dois enriqueceriam fechando parcerias entre o ministrio e a Labogen Qumica Fina e Biotecnologia, um laboratrio de fachada de propriedade do doleiro. A meta da dupla era conseguir contratos de 150 milhes de reais. Mensagens captadas pela Polcia Federal mostram que Vargas e Youssef atuaram juntos para associar a Labogen ao gigante farmacutico EMS. Quando a parceria foi formalizada, saiu o primeiro contrato, de 30 milhes de reais. 
     Publicamente, Vargas tenta manter-se coerente com o que disse ao plenrio da Cmara h duas semanas: "Quero deixar bem claro que no participei, no agendei, no soube previamente nem acompanhei desdobramentos de nenhuma reunio no ministrio a respeito de qualquer assunto relacionado a negcios da Labogen". A realidade, no entanto, continua a discordar do palavrrio do deputado. Por um especial instinto de preservao da instituio, os parlamentares, mostra a histria recente, tendem a punir seus pares menos por seus delitos e mais por mentiras proferidas da tribuna. Forar Vargas a renunciar ou mesmo cassar seu mandato so seguimentos bastante provveis do caso. Suas mentiras ficaram ainda mais flagrantes depois que o Ministrio da Sade confirmou que Vargas pediu ao ministro Alexandre Padilha que os representantes da Labogen fossem recebidos. Segundo o ministrio, o pedido do deputado "seguiu o trmite regular", sendo enviado a Carlos Gadelha, secretrio de Cincia, Tecnologia e Insumos Estratgicos. Foi o secretrio quem determinou ao diretor Eduardo Jorge Oliveira que atendesse os representantes da Labogen. A reunio ocorreu em 24 de abril do ano passado. O prprio Padilha disse a VEJA que fora procurado por Vargas para tratar da possibilidade de contratao da Labogen. 
     No vai ser fcil para Andr Vargas sustentar que no mentiu a seus pares da tribuna. Alm de ter sido desmentido oficialmente,  inegvel para a polcia que Vargas tinha linha direta com pelo menos cinco comparsas do doleiro preso no esquema de lavagem de dinheiro, sendo que Pedro Paulo Leoni Ramos e Mauro Boschiero eram os interlocutores mais frequentes. Leoni Ramos e Boschiero esto  frente do fundo de investimentos CPI, que forneceu os recursos para a reforma das instalaes da Labogen. Os depoimentos dos envolvidos  Policia Federal detalham a farsa montada para engambelar o Ministrio da Sade. 
     VEJA foi a Indaiatuba, no interior de So Paulo, para conhecer a Labogen. Ali falou com o autnomo Leonardo Meirelles, laranja de Youssef que aparece como um dos donos do laboratrio. Ele no s admitiu que se encontrou com Vargas para tratar do negcio no Ministrio da Sade como disse que foi o deputado quem abriu as portas dos gabinetes oficiais (veja a entrevista na pg. 78). Alm de Meirelles, o frentista Esdra Ferreira  dono formal da Labogen. Ambos admitiram  policia que, de incio, a Labogen era uma "empresa de papel" que servia para maquiar as operaes de cmbio de Youssef. Entre agosto e novembro de 2010, a Labogen, mesmo sem produzir um comprimido, faturou 79 milhes de reais. A lavanderia funcionava a pleno vapor, mas era chegada a hora de produzir mais, principalmente dinheiro. Foi quando a fome do rechonchudo Vargas se juntou  gula do doleiro. O deputado conseguiu que o diretor do Ministrio da Sade Eduardo Jorge Oliveira recebesse os representantes da Labogen para tratar da parceria. Quando os laranjas de Youssef, nefitos em matria de indstria farmacutica, entraram na sala do diretor, encontraram um roteiro devidamente preparado para viabilizar o negcio. Oliveira comeou a reunio dizendo que "o parceiro ideal para a Labogen seria a EMS" e que o produto "ideal para a parceria seria o citrato de sildenafila, princpio ativo do Viagra, porque a EMS j produzia o medicamento. "A EMS seria uma empresa recomendada porque, segundo Eduardo Jorge Oliveira, para o processo ser realizado eram necessrios testes de bioequivalncia e estabilidade, e esses testes eram muito demorados, sendo que a EMS j os tinha feito", relatou Pedro Argese, um dos diretores da Labogen, em depoimento  PF. 
     Alm de um parceiro privado, a Labogen precisava de um parceiro pblico. Didtico e prestativo, o diretor do ministrio orientou os laranjas do doleiro a procurar o laboratrio da Marinha, porque ele "j tinha parcerias efetivas" no mesmo modelo pleiteado pela Labogen. Superado mais um obstculo, logo os tcnicos do Ministrio da Sade foram inspecionar as instalaes do futuro fornecedor. Em seu depoimento, o frentista Esdra Ferreira disse  polcia que foi encarregado de comprar as mquinas que formariam a planta do laboratrio. Segundo ele, quase todos os equipamentos vistoriados e aprovados pelos tcnicos da Sade no passavam de carcaas de mquinas sucateadas, que ele havia comprado em cemitrios de equipamentos e mandado revestir de placas de alumnio para "dar a aparncia de novas. Um dos funcionrios admitiu a armao: "As mquinas so apenas carcaas. Esto todas ocas". 
     O laboratrio tem oficialmente 24 funcionrios. Na semana passada, apenas trs davam expediente. Os outros, por causa das prises e dos salrios atrasados, j haviam abandonado o emprego. Se no produzia um msero medicamento, a sede da Labogen era palco de uma movimentao frentica. "Era um entra e sai de carro importado, Mercedes, BMW, Land Rover. Eles viviam em reunies fechadas. De vez em quando, chegavam umas bolsas cheias de dinheiro. Bolos imensos de notas que eles usavam para pagar a reforma do laboratrio. A carteira do seu Leonardo dava medo de ver. Era to grossa, com tanto dinheiro, que no cabia no bolso", relatou um funcionrio sob a condio de anonimato. Credenciada como parceira do Ministrio da Sade, a Labogen, segundo os depoimentos  polcia, planejava importar matria-prima da China e repass-la  EMS, que produziria o medicamento. A diviso do butim j estava definida: a EMS ficaria com 50% da receita obtida com as vendas. A outra metade cairia no bolso dos mentores da operao. So esses percentuais que justificam o otimismo do doleiro Youssef na mensagem enviada ao petista Vargas em 19 de setembro de 2013: "Cara, estou trabalhando, fica tranquilo. Acredite em mim. Voc vai ver quanto isso vai valer... Tua independncia financeira e nossa tambm,  claro...". 
     Depois de revelada a troca de mensagens com o doleiro, Vargas enviou um emissrio ao presdio onde Youssef est preso. Queria negociar o silncio do "irmo" Beto. Na semana passada, a Polcia Federal encontrou uma escuta na cela de Youssef, que, suspeita-se, foi colocada l para que algum soubesse o que ele conversava com advogados e colegas de crcere. H motivos de sobra para que vrios polticos se empenhem em impedir que o doleiro, que teve atuao decisiva no propinoduto da Petrobras, conte o que sabe. Foram essas razes que levaram a bancada governista a tratorar o pedido de criao de uma CPI da Petrobras  no Senado. Essa tropa de choque impediu, at agora, que a comisso parlamentar fosse instalada. De quebra, aprovou a realizao de uma investigao no apenas sobre a estatal, mas sobre o cartel do metr em So Paulo e o Porto de Suape, em Pernambuco, como forma de fustigar os candidatos presidenciais da oposio, Acio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). A ideia  embaralhar tudo para no investigar nada. No   toa que esto  frente dessa ofensiva os peemedebistas Renan Calheiros e Romero Juc. Eles tambm so padrinhos polticos de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras que foi preso junto com Youssef. No faltar assunto na campanha eleitoral deste ano. 

"O DEPUTADO NOS COLOCOU EM CONTATO COM O MINISTRIO"
Preso pela Polcia Federal na Operao Lava-Jato, o autnomo Leonardo Meirelles  o proprietrio formal do Laboratrio Labogen, cujos interesses milionrios junto ao governo eram defendidos pelo ex-vice-presidente da Cmara Andr Vargas e pelo doleiro Alberto Youssef. Nesta entrevista, Meirelles admite ter contado com a ajuda do petista para abriras portas do Ministrio da Sade  empresa-fantasma. 

O senhor pediu ajuda ao deputado para fazer negcios com o Ministrio da Sade? 
Encontrei o deputado Andr Vargas duas vezes no ano passado para tratar da parceria com o Ministrio da Sade e apresentar o projeto da Labogen. Em um desses encontros, o Pedro Argese tambm estava junto. O deputado viu o projeto e nos ajudou. 

Como o senhor chegou ao deputado? 
No  segredo a proximidade do deputado com o Alberto Youssef. Foi ele quem nos aproximou. O Youssef me indicou o deputado, e ns conversamos. O prprio Youssef articulava essa parte poltica porque ele tambm tinha interesse. Ele iria comprar 80% do laboratrio. 

Que tipo de servio o deputado fez para vocs? 
Fez o que todo deputado faz quando  procurado por um empresrio com um bom projeto. Ele nos ajudou a chegar ao governo. No teve nada errado. Ele apenas conseguiu a reunio no ministrio. Uma coisa que todo poltico faz. 

O deputado pediu ajuda ao ministro Alexandre Padilha? 
O deputado nos colocou em contato com o ministrio. Conseguiu as reunies com o Eduardo Jorge (diretor do Ministrio da Sade). 

O que o diretor Eduardo Jorge fez? 
Ele nos indicou os caminhos, passou essa parte tcnica, nos apontou a EMS, nos colocou na parceria com a Marinha. Nesses processos, voc precisa reunir muitos papis, muitas autorizaes. 

Andr Vargas e Youssef planejavam fazer a "independncia financeira" a partir do laboratrio. O deputado faz parte do negcio? 
Essa parte era conversa dele com o Youssef. No sei o que eles combinaram ou se tinham algum acordo. A polcia afirma que o laboratrio sempre foi um negcio de fachada. Como voc est vendo, o laboratrio existe, todos os equipamentos so novos, tudo de ao inoxidvel. 


3#3 A TRAGDIA DO EX-REI DA SOJA
O motorista de Olacyr de Moraes mata o ex-senador boliviano que prometia devolver o empresrio ao mundo dos bilionrios.
BELA MEGALE

     Nos anos 80, no havia brasileiro que no tivesse ouvido falar dele. Proprietrio de 50.000 hectares de plantao de gros, Olacyr de Moraes era o rei da soja, o mais jovem bilionrio brasileiro a aparecer no ranking da Forbes, o ricao que frequentava as melhores festas do pas  sempre acompanhado de uma dupla de loiras, invariavelmente com mais de 1,70 metro de altura e menos de 22 anos. Seu imprio reunia quarenta empresas e seu patrimnio era avaliado em 1,2 bilho de dlares. Nos anos seguintes, porm, uma srie de investimentos malfeitos e dvidas acumuladas fizeram a roda da fortuna girar ao contrrio. Olacyr perdeu fazendas e fechou as portas de diversos negcios. Hoje, resta-lhe um patrimnio de 29 milhes de reais, em empresas em seu nome, que, se no soa desprezvel  empalidece quando comparado ao que j possuiu nos tempos de reinado. Nas ltimas dcadas, o empresrio dedicou-se a tentativas de recuperar o dinheiro e o prestgio perdidos. E foi com essa esperana que se aproximou do boliviano Andrs Firmin Heredia Guzmn. Lobista e ex-senador por seu pas, Guzmn prometia transformar Olacyr no rei do minrio. Olacyr acreditou nele. E ainda acredita que teria cumprido a promessa, no tivesse Guzmn sido assassinado no ltimo dia 4 pelo motorista do empresrio, Miguel Garcia Ferreira. 
     Olacyr e Guzmn foram apresentados h mais de vinte anos, mas estreitaram relaes a partir de 2002. O boliviano passou a ocupar o cargo de diretor internacional de uma das mineradoras do empresrio, a Itaoeste, embora costumasse se apresentar como "scio minoritrio" de Olacyr, coisa que nunca foi. A Itaoeste foi criada para explorar metais raros como tlio e escndio, mas at hoje as minas que adquiriu na Bahia no tm autorizao para lavra. Entre as promessas de Guzmn a Olacyr estava conseguir essas licenas. "Com o pretexto de levar dinheiro para os negcios andarem, ele ia  casa do Olacyr toda semana e saa de l com malas de 200, 300, 400.000 reais", conta um funcionrio do empresrio. Tudo em espcie, tirado do cofre. Guzmn ainda representava a companhia em encontros e viagens com autoridades. A mais recente delas foi com a comitiva da presidente Dilma Rousseff para a Rssia, em dezembro de 2012. Olacyr tambm foi  viagem. O empresrio via na desenvoltura e, sobretudo, nos contatos do boliviano no governo federal a chave para seu reingresso no clube dos bilionrios. Mas, para alguns de seus familiares e empregados, o ex-senador era apenas um aproveitador que conseguia tirar dinheiro de um homem de 83 anos, que se recupera de uma delicada cirurgia. 
     A biografia de Guzmn ajuda a reforar essas desconfianas. Desde a dcada de 90, ele intermediava negcios , de brasileiros na Bolvia. Em 1996, ajudou Wagner Canhedo, ex-dono da Vasp, a comprar metade da Lloyd Areo Boliviano. A transao acabou com um pedido de priso de Canhedo e de seu filho. Em 2006, Guzmn elegeu-se suplente de senador pela oposio, mas rompeu com o titular do mandato  Roger Pinto Molina, que passou quinze meses refugiado na embaixada brasileira em La Paz e hoje mora no Acre  e aproximou-se do presidente Evo Morales. Com o afastamento do titular, assumia o cargo toda vez que o governo precisava de votos. A relao com o presidente lhe abriu novas portas. Em abril de 2006, Guzmn recebeu em sua cobertura no rico bairro de Cota Cota, na capital boliviana, o mensaleiro Jos Dirceu, que tentou sem sucesso evitar a nacionalizao pelo governo Morales das refinarias da Petrobras. Na ocasio, o ento senador tambm fez lobby para as empreiteiras brasileiras que conseguiram contratos para construir estradas na Bolvia. No Brasil, ele  ru em pelo menos quatro processos, envolvendo dano moral e cobrana de dvidas. Em outro processo, um dos nove filhos, que teve fora de seus trs casamentos, o acusa de abandono e pede 150.000 reais de indenizao. 
     Ao descer do apartamento de Olacyr no dia em que morreu, Guzmn trazia uma mala com 400.000 reais em dinheiro ("um emprstimo que eu fiz a ele", disse Olacyr  polcia). No hall do prdio, o motorista Ferreira aguardava nervosamente por ele. Ao encontr-lo, pediu-lhe uma carona. Na Avenida Morumbi, matou-o dentro do carro com dois tiros no peito e um na cabea. Preso, confessou o crime e disse que no tinha inteno de comet-lo  s de dar "um susto" no boliviano, j que no aguentava mais v-lo extorquir Olacyr, a quem disse idolatrar ("Tudo o que eu tenho devo a ele"). Policiais logo perceberam que Ferreira, que cursou apenas o 1 grau, no sabia o significado exato da palavra "extorquir". "Para ele,  a mesma coisa que "enganar. E, do ponto de vista pelo qual ele enxergava a situao, Guzmn estava enganando o seu patro", disse um policial que participou das investigaes. Nascido no Rio Grande do Norte, Ferreira, de 61 anos, trabalhava havia 38 para Olacyr. A confiana de que gozava na famlia era tanta que foi ele o encarregado de levar os 2 milhes de reais aos bandidos que sequestraram a cunhada de Olacyr, Darci de Moraes, em 1993. O dinheiro no chegou a ser pago e Darci foi resgatada pela polcia depois de nove dias de cativeiro. Por meio de um colega que o encontrou na delegacia, o motorista mandou um recado ao patro: "Pede desculpas ao dr. Olacyr, no queria ter prejudicado ele". 
     Olacyr recebeu a notcia do assassinato de Guzmn por um telefonema do filho. Chorou. "Tudo estava na mo dele, indo bem. Como vou fazer agora?", lamentou. Em casa, de pijama, recupera-se de uma cirurgia de oito horas realizada h cerca de trs semanas no Hospital Albert Einstein, na qual retirou parte do estmago, intestino e pncreas. No incio, ele relutou em aceitar o diagnstico de cncer e, antes de se submeter  cirurgia, arriscou tratamentos alternativos, como uma operao espiritual com o mdium Joo de Deus. A doena o obrigou a comemorar o aniversrio de 83 anos em um jantar discreto em seu apartamento, j que no consegue mais ir aos restaurantes que costumava frequentar. L se reuniram vinte pessoas, entre amigos e parentes  alm de uma bela jovem que posou para fotos sorrindo ao seu lado, para manter a tradio. Seis quilos mais magro, o empresrio tem crises constantes de choro. Lamenta a morte do amigo Guzmn e a priso do motorista fiel, episdios que colocaram seu nome de novo nos jornais. No era assim que ele queria voltar. 

A MORTE DO EX-SENADOR
Minutos depois de Andrs Guzmn subir ao apartamento de Olacyr de Moraes, as cmeras do prdio flagram o motorista Miguel Garcia Ferreira andando nervosamente de um lado para o outro no hall. 
Quando Guzmn desce, com uma mala contendo 400.000 reais em dinheiro, Miguel pede uma carona e os dois embarcam no Cherokee de Guzmn. 
Na Avenida Morumbi, aps uma briga, Miguel acerta trs tiros no empresrio, dois na cabea e um no peito. Guzmn perde o controle e bate o veculo em um poste.
Guzman, ferido, desce pela porta do motorista e cai na pista. Miguel assume o volante e tenta fugir, mas a roda dianteira do carro, avariada pela batida, o impede de sair. 
Ao ver o que pensa ser um acidente, uma mulher ajuda Miguel. Segundos depois, seu carro  parado por policiais do Garra, avisados por testemunhas sobre os disparos. 
Levado  delegacia, Miguel confessa que matou Guzman porque ele "enganava" o seu patro, um "homem bom". 
COM REPORTAGEM DE LUCIANO PDUA E GIAN KOJIKOVSKI


3#4 MANUAL DA GUERRILHA DIGITAL
Uma investigao revela que quadrilhas usam at computadores de rgos pblicos para atacar o senador Acio Neves, nome do PSDB  Presidncia. A ao desses grupos  um desafio para a Justia Eleitoral.
FILIPE VILICIC E RAQUEL BEER

     Um documento a que VEJA teve acesso revela a ao de quadrilhas na disseminao de mentiras na internet com o objetivo de manchar a imagem do senador Acio Neves, pr-candidato  Presidncia pelo PSDB. O levantamento, feito pelo advogado Renato Opice Blum, especialista em crimes digitais, identificou tticas condenadas e at ilegais. Em um dos casos mais flagrantes, a quadrilha disseminou por blogs, sites e redes sociais a notcia falsa de uma fantasiosa condenao de Acio, quando governador do Estado de Minas Gerais, pelo desvio, ora de 3,7 bilhes, ora de 4,3 bilhes de reais, de verbas destinadas  sade. Segundo o relatrio, h evidncia de que os criminosos chegaram a pagar para promover e espalhar no Facebook posts que continham a calnia. 
     O esmiuamento dos crimes, desenhado em 55 pginas,  um manual da guerrilha digital que est sendo armada para as eleies presidenciais deste ano. O levantamento de Opice Blum focou as tticas que vm sendo utilizadas contra Acio. Mas nada impede que outros candidatos tambm sejam alvos dos mesmos mecanismos digitais de difamao. Os recursos mais banais, como a criao de pginas e perfis falsos no Facebook e Twitter, so facilmente detectveis. A presidente Dilma Rousseff tem pelo menos cinquenta perfis inventados. Eduardo Campos, do PSB, outra dezena. So prticas que, por deixar marcas indelveis de autoria, acabam tendo mais efeito humorstico do que de destruio de imagem. O que preocupa os especialistas so os expedientes condenveis e ilegais como os que aparecem no levantamento que tem Acio como vtima. 
     Os detratores do senador se valem de estratagemas mais difceis de ser descobertos e que requerem o domnio especfico de tecnologias feitas para produzir dano. Um texto idntico e calunioso contra Acio, tendo como autor um mesmo (e falso) usurio, aparece em reas de comentrios em diferentes sites ao mesmo tempo. Isso  sinal claro do uso de robs digitais. Um dos rastreamentos feito por peritos localizou um dos focos de gerao de calnias contra Acio em um computador da estatal Eletrobras. A produo e a divulgao de contedo falso destinado a macular a imagem de um senador oposicionista tendo como foco um rgo pblico deveriam chamar a ateno da Justia Eleitoral. A ilegalidade  bvia. 
     Camila Fusco, porta-voz do Facebook, disse a VEJA que, pelo tamanho da rede, que tem mais de 1 bilho de usurios, as denncias so sempre um passo efetivo para identificar malfeitores. "Perfis falsos e compra de curtidas so contra nossas regras, e temos ferramentas avanadas para detectar essas prticas, mas precisamos que os usurios nos ajudem", afirmou. Fica o conselho para os candidatos. 

O ESQUEMA
- Prdio da Eletrobras
- Endereo na Rua Bento Lisboa, no Rio de Janeiro
- Endereo na Rua Cndido Mendes, no Rio de Janeiro.
- Endereo na Rua Riachuelo, no Rio de Janeiro
NALDINHO DA SILVA  Era o nome fictcio usado pelo grupo para espalhar as mensagens mentirosas.
O contedo calunioso era divulgado principalmente na rea de comentrios de  sites de grande audincia, como o do jornal O Globo.

OS PRINCIPAIS TIPOS DE ATAQUE
SPAMS - Mensagens espalhadas de forma massiva, em curto perodo de tempo - manualmente, por pessoas, ou automaticamente, por programas de computador - para um nmero amplo de destinos 
Como foram usados: os spams eram inseridos em sites populares de notcias
Objetivos: espalhar contedo calunioso; o nmero colossal de spams, combinado  alta audincia das pginas, ainda culmina no aumento artificial da relevncia das mensagens, posicionando-as com destaque em sites de busca.
BOTS - Diminutivo para robots (em ingls, robs),  um sistema, guiado por softwares, que simula aes de pessoas na internet 
Como foi usado: para forjar curtidas em comentrios ou visualizaes de vdeos, o que aumentaria a credibilidade da pgina ou do contedo falso 
Objetivos: utilizando registros estrangeiros de computadores - localizados, por exemplo, na Inglaterra e nos Estados Unidos -, os ataques tentavam comprometer vdeos publicados no YouTube e aumentar a relevncia de sites falsos, criados para o achaque. 
FAZENDA DE LINKS - Criao, automtica ou manual, de vrios endereos eletrnicos com o mesmo contedo mentiroso 
Como foi usado: as pginas espalham mensagens enganosas contra Acio Neves, como uma na qual o ex-governador de Minas Gerais teria sido acusado de "roubar" 4,3 bilhes de reais que deveriam ser destinados  pasta de Sade do estado 
Objetivo: a multiplicao dos links aumenta o destaque do contedo em sites de busca.

A FALSIFICAO TRANSFORMADA EM GRFICO
A ARQUITETURA NORMAL ENTRE SITES - Neste exemplo, feito a partir da comunicao entre blogs de culinria, a relao entre os sites tem essa cara aleatria, tpica do imenso volume de informaes que circulam pela web. Cada linha representa a ligao de um endereo com o outro.
A ARQUITETURA MANIPULADA - Com a criao de sites falsos, ligados a um n central, distribuidor de mentiras, o diagrama tem a aparncia mais ordenada. Isso ocorre porque todas as pginas esto atreladas ao ncleo central, com todos os envolvidos na rede se comunicando apenas entre si, alheios a outros links da internet. 


